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Dispositivo
:: O Simpósio/Colóquio 2008: Corpo e Sintoma pretende trabalhar os 5 sub-temas (descritos na coluna à direita) através de diferentes dispositivos, visando dinamizar o encontro e valorizar o debate em detrimento de longas apresentações de trabalho. Abaixo, temos um detalhamento do que foi estruturado até o momento. Este dispositivo poderá sofrer modificações até o dia 10 de abril de 2008
Teremos uma Mesa de Abertura com o tema: Desafios da Convergência: Homenagem aos 10 anos de Convergência e 10 anos de Intersecção Psicanalítica do Brasil.
:: Composição: Ana Lúcia Falcão e Arlete Mourão (representantes de Intersecção Psicanalítica do Brasil), um representante de Analyse Freudienne e um representante de Dimensions de la Psychanalyse.
:: Sobre os dispositivos de trabalho:
Trabalharemos com diferentes de mesas. O funcionamento das mesas será divulgado posteriormente.
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:: Nossos 5 Sub-temas
1 - Os vários registros do corpo;
2 - Inscrições dos reais no corpo;
3 - Narcisismo e psicissomática;
4 - Os ditos novos sintomas;
5 - Como os sintomas dos pais se
inscrevem no corpo das crianças.
:: Argumento
[Argumento de Intersecção Psicanalítica do Brasil, organizadora com Analyse Freudienne e Dimensions de la Psychanalyse do Simpósio / Colóquio de Convergencia, a ser realizado em Porto de Galinhas (Ipojuca-PE), de 24 a 26 de julho de 2008]
A psicanálise teve seu início ao se interessar pelos corpos que deixam de obedecer ao saber que está neles. Por ser habitado pela linguagem, o corpo é desnaturado e não obedece a um saber próprio, que lhe seria natural, diferentemente do que ocorre no animal, no qual há uma confluência entre viver e saber. O corpo histérico que Freud apresenta é um corpo disputado, de um lado, pela auto-conservação, e de outro, pelo gozo pulsional.
A partir dos anos setenta, Lacan elabora uma nova definição de sintoma: o sintoma como acontecimento de corpo. O que está implícito nesta definição é o real em jogo no sintoma. O sentido precisa ser ultrapassado para que o real seja atingido.
Lacan constrói essa nova definição, correlata ao conceito de Sinthoma, estudando a prática lingüística de James Joyce, em relação ao desconhecimento do próprio corpo mostrado pelo escritor irlandês. "Deixemos o sintoma no que ele é: um evento corporal ...", sentencia Lacan na Conferência de junho de 1975.
Antes, o sintoma era definido como advento de uma significação, e, nessa perspectiva, ele era interpretável. Concebê-lo como acontecimento de corpo torna problemático o estatuto da interpretação. O sintoma no sentido freudiano é o que se interpreta. Com o conceito de Sinthoma, Lacan mostra que o sintoma não é mais a verdade a ser interpretada, mas gozo. A redução ao real vai permitir ir além da linguagem, pondo um limite à fuga do sentido.
A nova definição se impõe quando se pensa o sintoma como gozo. Em Inibição, Sintoma e Angústia, Freud fala do sintoma como uma satisfação da pulsão, ou seja, a satisfação que a pulsão alcança em seu circuito em torno do objeto. Sendo uma satisfação da pulsão, o sintoma é condicionado pela vida, sob a forma de corpo vivo. O sintoma é gozo que passa pelo corpo. Trata-se de um corpo vivo, afetado pelo sintoma.
O corpo-sintoma existe para atender às exigências da pulsão, satisfazer e produzir gozo. A passagem do prazer ao gozo é verificada quando o saber do corpo é desobedecido, quando há uma perda na finalidade do órgão, que se desnaturaliza, por exemplo, quando o ato de comer ultrapassa a necessidade. Há uma distinção entre ser um corpo (animal) e ter um corpo (humano). Esta distinção particulariza o sintoma como próprio do corpo, mas indica também que o sujeito não se reconhece nem se identifica com o seu corpo-sintoma.
Trata-se de um corpo que goza, de um gozo autístico, de tal forma que não há lugar de endereçamento dado a priori. A partir do Seminário 20, a língua assume um valor secundário e a alíngua é pensada como primária. Concebida como uma nomeação para o não-todo da língua, a alíngua, figurada mais diretamente pela língua do materno, afeta primeiramente o sujeito por tudo o que ela comporta de efeitos que são afetos. E a linguagem sendo feita de alíngua, o acontecimento de corpo torna-se acontecimento de discurso que deixa traços no corpo, desorganizando-o e fazendo sintoma.
Qual a diferença entre sintoma e sinthoma? É que o sinthoma designa precisamente o aspecto do sintoma rebelde ao inconsciente, aquilo que do sintoma não representa o sujeito, nem se presta a nenhum efeito de sentido. O final de análise seria caracterizado pelo atravessamento do fantasma. Dali um efeito de sujeito podendo identificar-se com o sintoma ou arranjar-se com ele.
Freud nos apresentou os corpos histéricos. A clínica psicanalítica atual nos oferece uma multiplicação de fenômenos corporais: a síndrome de pânico, a anorexia, a bulimia, as adições, etc. Nossa proposta é debruçarmo-nos sobre esses acontecimentos de corpo a partir da última proposição de Lacan sobre sintoma, formulada em articulação com o conceito de Sinthoma.
As inscrições para trabalhos, bem como para os diversos tipos de intervenção, poderão ser feitas até o dia 30 de abril de 2008 mediante contato direto com a comissão organizadora [clique aqui]. Entretanto, todos têm que se inscrever como participantes na página de inscrição do evento.
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